terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Por Que Querem Me Condenar - Luis Inácio Lula da Silva * José Stanislau Filho - Mg

*
  Lula: Por que querem me condenar

Artigo publicado na Folha de S.Paulo
***
"Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.

Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma "organização criminosa", e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que "não há fatos, mas convicções".

Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do "chefe", evidenciando a falácia do enredo.

Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.

De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.

Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.

Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.

A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.

Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.

Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?

Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.

Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.

É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.

Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.

Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA foi presidente do Brasil (2003-2010). É presidente de honra do PT (Partido dos Trabalhadores)"
(José Stanislau Filho - Mg)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Povo Na Rua É Ato Terrorista? * Antonio Cabral Filho - Rj

Povo Na Rua É Ato Terrorista?
Onde fica a liberdade de expressão, declaração universal dos direitos humanos, a constituição 1988, a dignidade humana, e outros direitos? Querem ressuscitar a Lei de Segurança Nacional da ditadura militar? Ou querem criar alguma LEI MARCIAL?
http://adnews.com.br/midia/correio-braziliense-publica-primeira-pagina-corajosa.html 
***

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Educação X Disciplina Na Escola * Professora Dalva Silveira - UFMG/Mg

 PRECISAMOS FALAR SOBRE EDUCAÇÃO X DISCIPLINA(MENTO) NA ESCOLA
-nerdracionalistablog-

(Abelardo Bento Araújo)

Agora há pouco, encontrei duas colegas no corredor da instituição onde trabalho e começamos a conversar. Não demorou muito e uma delas soltou: “ah, mas esses meninos estão assim porque aqui não tem disciplina. Aliás, não tem mais o ‘disciplinário’”. Pensando bem alto, eu soltei: “Gente, precisamos falar sobre disciplina.” E comecei a falar. Seguem algumas coisas que me lembro de ter falado. Lamento dar esse spoiler, mas a moça não mudou de ideia ante os argumentos meus e da minha colega.

Precisamos muito falar sobre disciplina. Vamos utilizar um exemplo fácil. Vocês estão vendo aquelas pessoas que saqueiam lojas no Espírito Santo? Então, elas são o exemplo mais claro da disciplina vigiada. Quando a polícia dá as costas, elas fazem o que estão fazendo por lá. Antes que alguém acuse “ah, mas tem que ter regra!”, eu adianto: ninguém aqui está defendendo a inexistência das regras. Todo mundo sabe que, para viver em sociedade, precisamos delas. Na escola não é diferente. Mas o que as pessoas não querem entender é que impor regras e vigiar o seu cumprimento não é educar.

Voltemos ao caso do ES, para tentar entender o que é educar e em que âmbito se encontra a tarefa educativa. Para isso, comparemos a polícia e a escola. A presença da polícia em determinado lugar, sem dúvidas, inibe a prática de crimes. No entanto, as pessoas que ali possivelmente praticariam crimes, só fizeram mudar de lugar para praticá-los. Conclusão: a presença da polícia não educou ninguém, porque não agiu para a formação de valores humanos que impedissem a prática de crimes. Apenas impôs medo por um tempo, em determinado lugar.

A intenção não é negar a eficácia da polícia, mas ressaltar que escola, educação, são coisas bem distintas da repressão, imposição, interdito. Ok, ninguém aqui está pensando numa escola que transforme pessoas em zumbis politicamente corretos. Não, não é isso. No entanto, o papel da educação nesse processo aí, que envolve a convivência em sociedade, está ligado à formação de valores humanos. Para existirem e serem respeitadas, as regras precisam, primeiro, fazer sentido para os educandos. Disso decorre que essas mesmas regras precisam ser criadas democraticamente. Aqui, estou tomando a democracia como “convivência pacífica e livre entre pessoas e grupos que se afirmam como sujeitos”. (PARO, 2010, p. 27)***

Enfim, as pessoas por aqui não querem ouvir nada disso. Então, que continuem ̶c̶a̶g̶a̶n̶d̶o̶ impondo regras, enquanto os alunos apenas aperfeiçoam os meios para burlá-las. E sigamos! Vamos ver aonde vai dar.


***PARO, Vitor Henrique. Educação como exercício do poder: crítica ao senso comum em educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
12/02/17, 13:56 - Dalva Silveira - Prof:
*

Cem Anos Depois... * Ayn Rand - USA


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A Saída, Onde Está a Saída? * Carlos Eduardo Novaes - Rj

A SAÍDA, ONDE ESTÁ A SAÍDA? * Carlos Eduardo Novaes - Rj


Nós cariocas somos metidos a espertinhos, “malandros” sarados de beira de praia, que convidamos as pessoas para aparecerem lá em casa sem dar o endereço, mas elegemos duas vezes Sergio Cabral para Governador do Estado. Como se não bastasse, nossos representantes na Assembléia Legislativa elegeram por duas vezes – de 2003 a 2010 e em 2015 – Jorge Picciani presidente da Casa. Pois bem, espertinhos, Picciani é o único entre os 70 deputados estaduais na mira da Lava Jato, acusado de corrupção em quatro delações. Com certeza foi escolhido por seus pares para ensinar-lhes como chegar a uma fantástica evolução patrimonial. Lembro do estardalhaço que fizeram quando Pelé disse nos anos 70 que brasileiro não sabe votar. Pelo visto, 40 anos depois continuamos sem saber.
Reduz nossa culpa o fato de a maioria dos nossos políticos se elegerem através de currais eleitorais que alguns ingênuos imaginam só existir no Nordeste, Não conheço uma única pessoa que tenha votado em Eduardo Cunha para deputados federal. Tais currais são formados e mantidos por uma combinação diabólica da falta de consciência política (ou de Educação) com farta doação de mimos ao pobre eleitor (dentaduras, cestas básicas, assistência social etc) distribuídos pelos candidatos com acesso ao esquema de propinas. Ainda chamam a isso de democracia!
O ex-governador Cabral está pegando Sol em Bangu. O presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani é uma figura suspeitíssima. O atual Governador teve seu mandato cassado. O presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes – colocado ali por algum político – foi conduzido coercitivamente a Policia Federal, acusado de receber propinas para aprovar contas. O que nos resta? A Justiça! A Justiça é nossa ultima esperança.
Será? Olho com certa cautela para o Poder Judiciário porque no topo de sua pirâmide – STF – estão magistrados escolhidos por políticos que às vezes não tem o menor pudor em indicar seus “aliados”. Nosso sistema político está podre, em completa decomposição e a tão propalada reforma não vai nos levar a lugar algum. Como confiar em uma reforma política feita por políticos, esses políticos?
Não tem jeito meus caros. Se a Justiça não conseguir limpar a área dessa estrutura corrupta que permeia a politicagem tupiniquim e traz a infelicidade de todos nós, ou partimos para uma revolução como fizeram os franceses, com cadafalso e tudo em praça publica ou lavamos as mãos como Pilatos e entregamos mais do que a alma a Deus.

carlos eduardo novaes em 14/02/2017
https://www.facebook.com/carloseduardo.novaes.16?hc_ref=NEWSFEED&fref=nf 

*

Realidade No Deboche * Grupo Sendeiro das Letras - Rj

Realidade No Deboche